O nome, por si só, é de um peso que faz “tremer” muitos. Matadidi Mário Bwana Kitoko. Nasceu na localidade de Maquela do Zombo, na província do Uíje, bem perto da fronteira com a visinha República Democrática do Congo.
Foi lá que se deu toda sua formação como artista. Aliás, Matadidi nem sabe sequer com que idade emigrou para o então Congo Belga, com os seus pais, já que era muito miúdo.
O retorno à terra que o viu nascer aconteceu um ano depois da Independência de Angola, quando contava já 34 anos de idade. Contra todas as expectativas, e apesar dos inúmeros obstáculos encontrados, como o desconhecimento da língua oficial (o português), o artista foi bem acolhido pelos compatriotas e conquistou muitos fãs.
Tal ficou provado nas comemorações do primeiro aniversário do 11 de Novembro, num festival realizado no Pavilhão da Cidadela Desportiva. Foi a sua primeira aparição pública em Angola, fazendo-se acompanhar da banda por si criada em Luanda e que veio a denominar-se Inter-Palanca.
Foi também neste show que Matadidi notabilizou-se pela sua maneira algo espectacular de dançar, tendo percorrido todo pavilhão com o famoso “moon walk”, o passo de dança que também tornou famoso o cantor Michael Jackson.
O artista angolano conta, à volta desse assunto, que foi inspirado a dançar daquele jeito numa conversa que teve com o artista camaronês Manu Dibango sobre um outro artista norte-americano: nada mais, nada menos que James Brown.
“Nunca o tinha visto. Foi numa conversa com Manu Dibango, em 1971, na sua residência, que conheci o James Brown. A forma como o Manu descreveu as suas características, a sua actuação em palco, fizeram com que eu seguisse a sua forma de dançar. Cheguei em casa e comecei a ensaiar os passos do James, que só vim a conhecer um ano mais tarde, quando foi actuar em Kinshasa”.
Com estas palavras, Matadidi tenta justificar que jamais teria se inspirado em Michael Jackson que, “aliás, também é um imitador do James Brown”.
“Se eu vivesse na América, tenho a certeza que seria mais do que o Michael Jackson. Porque eu comecei Vladimir Prata antes dele”, afirma, convicto.
A viver em Angola, não se tornou tão famoso e milionário como o autor de “Triller”, mas ganhou muitos admiradores pela sua forma de compor, de dançar e, acima de tudo, pelas mensagens de cariz políticorevolucionário das suas canções, uma corrente que na altura vigorava no seio da comunidade artística nacional.
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Fonte: opais

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