Capítulo: De volta a Gary
Páginas: 19-21
Se alguém dirigisse à noite indo de Chicago para Gary, Indiana, no começo dos anos de 1960, quando o motor industrial da cidade roncava a pleno vapor, veria chamas se erguendo de metalúrgicas, um símbolo brilhante de vitalidade econômica, muitas oportunidades de emprego e poluição descontrolada. Nesse sentido, Gary era apenas uma das muitas cidades trabalhadoras do Meio-Oeste cujas indústrias hoje decadentes do cinturão de ferrugem garantiam estabilidade aos moradores e residentes produtos nacionais ao país.
Para a América negra, Gary era um centro de grande orgulho racial, um lugar onde novo povo desfrutava de algumas das conquistas dos Estados Unidos pós-segregação. Richard Hatcher foi eleito prefeito de 1967, sendo um dos primeiros afro-americanos a governar uma grande cidade, o prenúncio de uma onda de poder negro que iria tomar cidades por toda a nação. Alguns anos após a eleição de Hatcher, foi realizada em Gary uma conferência política nacional negra que por um breve período uniu todas as pessoas e todos os grupos dispersos que lutava pelo fortalecimento dos negros.
Mas o triunfo de Hatcher foi uma vitória de Pirro, tornada possível em parte pela fuga que levou a classe operária branca para os subúrbios de Indiana, privando Gary, nesse processo, de impostos essenciais e encorajando os políticos estaduais a dar as costa à cidade. Em um estado com um histórico de enorme atuação da Ku klux Klan, para não falar em real poder político da Klan, remontando aos anos de 1920, Gary se tornou em Indiana o símbolo de negros descontrolados. Em reação, o estado suspendeu o financiamento à cidade e aqueles que estimulavam o medo entraram em ação, ambos os elementos abalando a autoridade de Hatcher.
Nesse sentido, Gary, Indiana, não foi diferente de Newark, Nova Jersey; Cleveland, Ohio; ou Detroit, Michigan, novas cidades marromescuras sistematicamentes privadas de recursos por governos estaduais ou pela recusa dos bancos em conceder empréstimos. Os conflitos urbanos de 1960, juntamente com a disseminação da heroína por todas as grandes cidades dos Estados Unidos acabariam transformando guetos operários como Gary em favelas quase inabitáveis. Mas nos anos de 1960 a desesperança que caracteriza os bairros do século XXI não era considerada inevitável. As pessoas ainda acreditavam que se esforçando dentro da lei poderiam, se não limpar o gueto, pelo menos se libertar de seu puxão para o fundo.
Foi nesse contexto que Joseph Jackson e Katherine Corse se casaram, em 1949, geraram, criaram e desenvolveram uma das mais bem-sucedidas famílias de artistas da história dos Estados Unidos. Ele tinha 21 anos, e ela 18 quando se mudaram para a apropriadamente chamada rua jackson. O jovem casal teve nove filhos, uma ninhada que seria perfeita para uma família de agricultores do Sul, mas que em uma cidade grande significava muitas bocas para alimentar. Em dois quartos lotados, maureen (conhecida como Reebbee), Sigmond Esco (Jackie), Toriano Adoyl (Tito), La Toya, Marlon, Jermaine, Michael Joe, Steven Randell (Randy) e Janet viviam aos cuidados de Katherine e Joe.
Katherine trabalhava em regime de meio expediente na Sears e em outras lojas de varejo, mas gastava a maior parte do tempo (e da paciência) sendo uma presença calmante, constante e espiritual para a família. Ela tivera poliomiele quando criança, então mancava um pouco ao andar.No começo do casamento, Katherine fora influenciada pelo grupo religioso Testemunhas de Jeová e frequentava o Salão do Reino local com suas meninas e o jovem Michael, que de todos os filhos, seria o mais interessados nas Testemunhas. Nem Joe nem os outros filhos pareciam dar maior atenção às Testemunhas. Além de fazer trabalho religioso indo de porta em porta em Gary para divulgar as revistas The Watchtower e Awake, Katherine e os filhos liam a tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, o texto fundamental da religião.
AS Testemunhas profetizam que os humanos estão vivendo nos últimos dias da atual ordem mundial e que depois do Armagedom Cristo voltará para governar um paraíso terreno povoados por testemunhas vivas e 144 mil indivíduos ressuscitados. A idéia de recompensa Celestial não é tão fundamentada para a doutrina das Testemunhas quanto a idéia de uma Terra repovoada pelos justos. Ao longo dos anos, um pouco dessa ideologia aparecia em letras e videoclipes de Michael Jackson, filtrada pelo seu prisma da cultura Pop.
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