sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Billie Jean - Capítulo do livro Thriller - A vida e a música de MJ

Ao longo dos anos, Michael contaria algumas versões da história da garota que inspirou sua maior canção, mas em certo sentido os detalhes não importam. Originalmente intitulada " Not My Lover ", a letra resumia anos de medo das mulheres, desde garotas rasgando suas roupas quando ele era criança e seus irmãos fazendo sexo  casual com groupies, até ele ser agressivamente  perseguido por mulheres durante a juventude. O tema da mulher devoradora de homens é tão velho na canção americana quanto o blues, tão fundamental para o rock quanto a guitarra elétrica, e sobrevive com vigor misógino no DNA do hip-hop. Homens com acesso fácil de mais a sexo frequentemente se tornam sátiros, agredindo as mulheres que levam para a cama enquanto se deleitam. Michael diferentemente dos irmãos, nunca se entregou a isso, mas sendo um bom virginiano, observou e memorizou tudo.

 Em 1982, Michael já saíra com Tatum O´Neal (1ª foto) e Brooke Shields (2ª foto), e tinha Diana Ross (3ª foto), Liza Minelli (4ª foto) e ouitras divas do show biz como confidentes. Fosse lá o que tivesse experimentado, que conselhos houvesse recebido das mulheres mais velhas de sua vida, "Billie Jean" sugere que sua compreensão do sexo oposto era de grande medida um trabalho em construção. E talvez seja a única razão pela qual funciona: Ao definir "Bellie Jean", ele de fato revelou sua própria insegurança e cautela em relação ao sexo, oposto e não. 


   "Bellie Jean" é uma da quelas raras gravações cuja grandeza fica evidente na primeira em que você a ouve, e, assim como em tantas coisas de Michael jackson, começa com o ritmo. Os movimentos pélvicos, sua cabeça, tudo isso flui a partir daquela profunda batida introdutória, que foi emulada, citada e simplesmente roubada em inúmeras canções pop desde 1983.


   A batida da canção, bastante roqueira, mas ainda assim docemente deslizante, é consumação do casamento da tecnologia com um baterista com experiência em estúdio. A busca rítmica foi gravada por Michael em uma bateria eletrônica em sua casa em Encino, e continuou a ser o cerne da gravação durante a maior parte das sessões de Thriller, até que, nas últimas semanas corridas de conclusão da gravação, Jackson, Quincy, repensaram a batida de "Bellie Jean". 


   O excelente baterista de estúdio Ndugu Chancler foi chamado ao estúdio Westwood para melhorar aquele ritmo. "Fui colocado sozinho em uma sala, para não haver vazamento", me contou Chancler em 1984. "Quincy e Michael entravam pra sugerir coisas durante as duas ou três horas que demorei para fazer a gravação. toquei entre oito e dez vezes". Essa combinação de bateria eletrônica e Chancler tocando uma beteria de jacarandá de nove peças foi fundida pelo engenheiro de som  Bruce Swedien. 


   Incentivado por Jones, que afirmou que "essa música precisa ter uma personalidade sonora única como nenhuma outra que já gravamos", Swedien usou uma pele de bumbo com uma abertura na frente pela qual um microfone podia ser enfiado, depois colado na pele. Swedien fez com que seu colega engenheiro George Massenburg, que era o responsável pelos sons de tambor inacreditavelmente secos das gravações do Earth, Wind and Fire, levasse um console de mixagem portátil de doze canais apenas para captar a seção de ritmo, isolando essas sons do resto da faixa. 

De mãos dadas com essa batida de tambor segue a vibrante linha de baixo. o baixista Louis Johson recordou: "Michael foi muito específico sobre como queria que o baixo soasse. Fez com que eu levasse todos meus instrumentos para ver como eles soavam. Experimentei três ou quatro antes que escolhêssemos o Yamaha. Ele é realmente vivo, com muita força e garra. Se você tivesse me ouvido tocar "Bellie Jean" em um baixo diferente, teria dito "use o Yamaha". Eu reforcei a passagem do baixo três vezes para aumentar sua força". Depois o tecladista Greg Phillinganes reproduziria e aprofundaria a linha do baixo de "Bellie Jean" (e da maioria as outras faixas de Thriller).


   O veterano Jerry hey fez o arranjo de cordas, que aumentou a tensão da faixa. "Se escutar apenas as cordas, vai jurar que está no Carnegie Hall", disse o engenheiro Swedien. "Tem uma difusão estéreo muito natural ". A gravação foi tão verdadeira e direta como uma gravação clássica".   
  
   O equilíbrio entre o solo vocal urgente de Michael e seus arranjos de acompanhamento é o cerne emocional da gravação. Pode-se dizer que em anos posteriores os floreios vocais de Michael com frequência eram apenas isso, ornamentos, não detalhes que potencializam, a mensagem da letra e ajustam o clima da canção. Mas em "Bellie Jean" todos os seus comentários e floreios são tão bem- colocados que soam como pedidos de ajuda sem palavras, transmitindo exasperação e desconforto, medo e frustração. Porém, estão sempre sob o controle da canção, levando a faixa para o âmbito de hino pop ao mesmo tempo em que exorcizam um demônio muito pessoal. Parte da magia das harmonias de apoio é que muitas delas foram cantadas através de um tubo, adicionando uma sensação de distância. Mas aquele vocal solo apaixonado foi gravado em uma tomada impetuosa.   


Quincy ficou muito orgulhoso e depois contou aos repórteres que tinha pedido ao saxofonista Tom Scott para participar no final do processo de produção e "adoçar" a faixa com um lyricon, um instrumento de sopro  agudo. Swedien contou: Foi idéia de Quincy incluir essa coisinha. Foi um acréscimo de última hora. Quincy chama isso de "doce para os ouvidos". Você não tem consciência dele. É apenas um elemento subliminar que funciona."
Eu escutei "Bellie Jean" um zilhão de vezes e nunca ouvi Scott tocar, mas esse é o ponto. A atenção ao detalhe, pequeno de mais para ser ouvido, mas ainda assim silenciosamente sentido, é apenas um dos muitos motivos pelos quais essa gravação é uma verdadeira obra de arte pop antes mesmo de Michael Jackson fazer seu moonwalk.

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